sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PAPAI NOEL

PAPAI NOEL,
Ou um velhinho bondoso, com um saco cheio de presentes.


Vinte e cinco de  dezembro de todos os anos é seu dia
e como os adultos ensinam para a criançada,
ele sempre vem.
E vem sempre com alarido,
fogos de artifício, comida e bebida a vontade (pra quem pode),
tudo mundo se diverte a valer.
Na televisão ele chega de helicóptero, mercedes, jatinho, trenó, jeep e
na favela de kombi da ação social.
São muitos os velhinhos, tem uns com bafo de cachaça,
mas ninguém leva em conta, afinal é natal!

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Movendo a Pedra

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PÃO E POESIA - FAZENDO HISTÓRIA À 12 ANOS

Poesia acompanha
café da manhã
Programa incorpora literatura ao cotidiano dos blumenauenses
Marli Rudnik

Blumenau - A poesia passou a fazer parte do café da manhã de muitos blumenauenses, desde que a Fundação Cultural de Blumenau implantou, em dezembro, o programa "Pão e Poesia". O pão quentinho vem embalado nos mesmos saquinhos pardos, que agora apresentam poemas de autores brasileiros e ibéricos, como o português Fernando Pessoa e o espanhol Federico Garcia Lorca. Mais de 20 panificadoras já aderiram ao programa, e a meta é atingir a totalidade dos estabelecimentos (cerca de 250) este ano.
A Fundação Cultural está cadastrando os poetas interessados em participar da 2º tiragem do "Pão e Poesia". Prevendo a grande demanda, o presidente da FCB, Bráulio Maria Schloegel anuncia a criação de um Conselho Editorial, com cinco escritores blumenauenses, que vão fazer a programação visual das embalagens. Hoje são os próprios donos das padarias que escolhem os textos, impressos na gráfica da FCB, com recursos do Fundo Nacional de Cultura (os empresários só fornecem os pacotes). "As padarias têm o pão, nós temos a poesia", justifica Schloegel. Cada poema é impresso no máximo em 500 sacos. Mais de 100 mil embalagens já estão circulando nas padarias dos bairros.



MULTIPLICAÇÃO
DOS PÃES

Quem sugeriu o uso de poemas em embalagens foi o poeta Lindolf Bell, que já colocou versos em camisetas, cartões postais, adesivos, garrafas e outros espaços inusitados. "Ele viu a idéia numa feira em Curitiba, só que em embalagens de presente. Nós adaptamos para as padarias", explica o presidente da FCB. O programa "Pão e Poesia" faz parte de outro projeto maior, o "Arte nos Bairros", iniciado em 1993 pela ex-presidente da Fundação, escultora Elke Hering (1940-1994), e representa uma alternativa para os poetas interessados em divulgar seu trabalho. Bráulio não descarta a possibilidade de publicar uma antologia dos poetas participantes, no final do ano.
Mais do que revelar talentos (muitos autores iniciantes estão mandando seus trabalhos para a Fundação), o programa está dando certo porque leva a poesia a lares onde não existem livros de poemas, e a pessoas não familiarizadas com os versos. "Muitos nunca leram um poema antes e estão descobrindo este prazer", diz Bráulio. O presidente do Núcleo dos Panificadores da Associação Comercial e Industrial de Blumenau, Sérgio Lange, proprietário da Panificadora e Confeitaria Aroma, afirma que os clientes não escondem a satisfação, quando descobrem os poemas nos pacotes de pão. "Alguns chegam a colecionar as embalagens, dizendo que não podem comprar livros".
O caráter educativo do programa fica por conta dos temas selecionados para impressão. Nos primeiros meses, o poeta blumenauense Geraldo Luz, falecido em janeiro de 1997, foi homenageado. Neste ano será destacado o trabalho do tubaronense Martinho Brüning, que faleceu no dia 05 de janeiro último. Concursos de poemas da rede municipal de ensino e as homenagens ao centenário de morte de Cruz e Sousa também serão lembrados nos pacotes de pão. "A poesia vai passar a fazer parte do dia-a-dia das pessoas, assim como o pão", garante o presidente da Fundação.
As artes plásticas de Blumenau também estão entrando nas casas dos blumenauenses, através dos calendários de 1998, confeccionados em serigrafia e ilustrados com obras de César Otacílio e Homero Moser. A Fundação Cultural confeccionou 150 calendários numerados e assinados a mão pelos artistas, selecionador por meio de concurso. "Quando o ano terminar, as pessoas podem recortar as ilustrações, emoldurar, e ter as reproduções das obras originais dos artistas", explica Schloegel.
FONTE: 
http://www1.an.com.br/1998/jan/24/0ane.htm

domingo, 29 de novembro de 2009

Pão & Poesia

Pão & Poesia é ampliado

O projeto Pão & Poesia da Fundação Cultural de Blumenau está sendo ampliado para todo o Estado, com um maior número de sacos de pão impressos. Em setembro foram distribuídos 30 mil poemas em Blumenau, Gaspar, Timbó, Pomerode e Indaial. Já em outubro o Pão & Poesia passou para uma tiragem de 120 mil poemas/mês, graças a uma parceria com a Incorpel, de Palhoça. Isso possibilitou levar o projeto também para as cidades de Criciúma, Orleans, Rio do Sul, Lages e Florianópolis. Para o próximo ano a Fundação Cultural pretende expandir o Pão & Poesia para outras cidades.

Poetas de Blumenau que quiserem participar podem enviar seus poemas para a Fundação Cultural. A meta é divulgar suas obras, provocar o hábito da leitura e o gosto pela poesia, principalmente às pessoas não familiarizadas com os versos e impossibilitadas de adquirir livros de poemas. Uma comissão vai selecionar os textos. Os interessados podem encaminhar suas poesias (com a devida autorização de publicação) para a Fundação Cultural de Blumenau – Centro de Publicação, Documentação e Referência em Leitura: Alameda Duque de Caxias, 64 ou para o e-mail editora@fcblu.com.br

Autores participantes

Ricardo Brandes Poema chuvoso
Ilka Bosse Tenho medo
Ivo Hadlich Tango
Fátima Venutti Canção de ninar
Neida Rocha O vaga-lume
Rosane Magaly Martins Êxtase
Tchello d´Barros S/ Titulo
Joni Kormann O meu destino
Paulo Roberto Wovst Leite Pó na estrada
Felipe Gruetzmacher Eis a questão: ser ou ter?
Maria de Fátima Baumgärtner O amor
Raquel Gastaldi Eu feliz
Cláudia Iara Vetter Nenhuma palavra
Fonte: Raquel Furtado, agente cultural FCB (3326 7511 e 9903 5403)
Jornalista: Marilí Martendal – MTb/SC 00694 JP. 3326 8124 e 9943 0235.



Pago aumento para comer a poeira
sorrio ou me entristeço,
mas enfim sou transeunte desta via.
Deste caminho que se cruza,
deste olhar que se perde,
e busca o teu
em meio as janelas entreabertas
em meio ao calor de um pouco
de insatisfação.

Paulo Roberto Wovst Leite

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

sábado, 2 de maio de 2009

AGRADECIMENTOS


Abraços do Paulo

terça-feira, 7 de abril de 2009

MATÉRIAS DO MERCADO

Sirvo a maioria,
sem pertencer a nenhum feitor.
Não faço parte de minorias,
por não me enquadrar
no perfil desejado.
Sem ismo, sem Cia,
nem S.A, tampouco Ltda.

Desconheço tanta coisa
que as que descubro
às vezes até me assustam.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Desengajado e neutro

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Encontro do G20

  • Promessas de um mundo novo
  • Programa para o desenvolvimento
  • Muito glamour e flashes
  • Poses...
  • Xis e mais Xis
  • A Economia vai sair da UTI
  • Saúde para os bancos

Revisito-me e aguardo-me abrir a porta,
mas me olho pela fresta da janela
assim meio de soslaio
ou diretamente na cara
pelo olho mágico.


Por debaixo da porta
pra ver se enxergo se já fui
ou me espreito em algum canto
a espera de um barulho qualquer
que me denuncie a presença.


Mas há dias que escancaro a porta
num forte abraço, terno e hospitaleiro
Cevo um mate pra uma conversa afiada
entre dois amigos com saudades...



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Desengajado e neutro

quinta-feira, 2 de abril de 2009

1986... HOJE.

E quantos foram os braços
e quantos foram os abraços,
quantos beijos,
desejos projetados.

Voa, voa sonho plebeu
pra bem longe daqui,
pra bem longe da massa reunida
que observam de lá pra cá,
seu herói passear
nas asas do poder.

Um herói latino americano
num gozo descontínuo,
ejaculando sobre a cabeça de milhões,
um contingente de indigentes,
povo de estatística,
números da fome,
da miséria e da peste,
da violência, mortalidade infantil
e cota na faculdade.

E defraudada a bandeira
da ignorância e presunção,
deitados em berço esplêndido,
trocam-se metas e rumos
e como diria alguém
ser ignorante no Brasil
não é defeito, muito menos anormal,
mas ser presunçoso o é quase doentio.

Surgem novas siglas partidárias,
novos planos econômicos,
pacotes e projeções,
votam-se emendas
e ao final de tudo
os fins ainda justificam os meios
e coligados ou não
ditam regras
num eterno palanque,
a discursar um sorriso
elegante e sutil
pro povo subserviente.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Desengajado e neutro

quarta-feira, 25 de março de 2009

OS GRITOS DE ALERTA CONTINUAM, QUEM SE IMPORTA?

De quando observava o mundo
aos sete anos ou agora,
o buraco na camada de ozônio aumentou,
animais em extinção, extinguiram-se
e o mundo não é melhor para minhas filhas
como sonhei um dia.
DESLIGAR A LUZ POR UMA HORA,
KKK
Façam-me rir
marqueteiros da imagem própria,
vão ranger os dentes.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Desengajado e neutro

ELO

Atravessar o círculo polar Ártico,
além do horizonte,
da aurora boreal.
Avançar terra adentro,
para tentar encontrar
a identidade perdida.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Desengajado e neutro

terça-feira, 24 de março de 2009

ROUPAS
ASFALTO
CONCRETO
ZINCO
AMIANTO
LAJOTA
SAPATO
RELÓGIO
CARTEIRA

TRABALHO NA REPARTIÇÃO
NA LOJA
NO BALCÃO


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Linha 300

“OLHARES”

Uma mulher grávida,
de olhar triste
segue sua rotina
de ir ao trabalho.
Não sei de onde vem,
já está no ônibus
linha 300,
quando embarco
e a vejo mais um dia,
mais uma vez entediada.

Sei que esse algo novo
que ela traz dentro de si,
lhe faz a cada dia mais bela,
apesar de sua espera.
Não vou questioná-la,
muito menos alertá-la,
mas que essa vida em seu ventre
a renove, isso lhe desejo em silêncio,
aqui do banco ao lado
na condução que nos leva ao trabalho.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Linha 300

Hoje despertei ao som...

Em minha bicicleta
ganhando a rua Bahia
vejo restos do início do século XX
um lindo chalé de1919
um pasto com bois e vacas
bem próximo a charmosa
igreja Luterana
e seu sino abençoado

E por entre densas nuvens
nascente, imponente, a raiar
banhando com sua luz,
o sol ilumina meu caminho
onde posso contemplar Deus
nas coisas simples
e no meu interior acendendo
a chama da vida.



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Linha 300

...Hoje amanheceu um dia lindo!

Diálogo entre dois passantes:
_ Esfriou né?
_ Não choveu!
_ mas lá pra cima destruiu tudo!
_ choveu muito?
_ Foi vento!

Pausa e reinicio:

_Mas vai esquentar!
_ Vai dar trovoada!
_ Pois é, pois é, pois é...
_ Tenho medo.

“Esfriar é lindo.” 


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
 Linha 300

PASSAGEIRO

Do ponto em que estou
tudo passa rápido
passageiro voraz
observo e colho na retina

Belas fachadas
velhas fachadas
horrendas fachadas

muito mau gosto
muito bom gosto

Charmosas fachadas
históricas fachadas
novas fachadas

muita coisa inacabada
muita coisa recomeçada
muita coisa esquecida

Vai ficando para trás
de tudo um pouco
rua, gente, construção,
etc e tal...

Talvez um dia tudo acabe
como a viajem se finda
quando chega a hora de saltar
no próximo ponto.




PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Linha 300

¡BUEN DIA!

As digníssimas senhoras do banco
na parada de ônibus.
Sentadas com seus cortes de cabelo,
bolsa e alguns utensílios.

Buen dia simpática e estranha
com seu sorriso fácil,
emoldurando o rosto de beleza única,
unicamente dada as gordinhas.

Dona de formas arredondadas
e de um sapato verde
que prendeu minha atenção.

Porque ficou belo,
ficou bem,
combinou.



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Linha 300
Vidas e mais vidas seguem seu curso, margeando o Itajaí-açú, através da estrada velha, que já foi linha férrea e constroem histórias de suor e sangue entrecortando morros, criando adjacentes.

Um transeunte ao passar apressado não pode ver.

O Século XXI flertando com o XIX em suas casas tombadas pelo patrimônio histórico, nos pastos e seus animais, enquanto um carro importado risca o espaço, em frente a loja de informática.

A fé nas placas de suas igrejas e nos corações de seus fiéis, a vida boêmia nos bares e prostíbulos.


E a cidade logo ali, vizinha, é alvo e também é seta.
Aponta para o futuro, conservando sua beleza enxaimel.



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
 Linha 300

NOME AOS BOIS

Carga viva, espremida, economicamente ativa, uns entreolham-se,
outros abaixam a cabeça, manhã fria, janelas fechadas.
Na contra mão da história uma carroça passa.
Emparelhados, um marrom e um malhado.
No ritmo do dia os ponteiros se apressam.
embarque-desembarque, embarque-desembarque, embarque-desembarque...



PAULOROBERTO WOVST LEITE
Linha 300

sábado, 7 de março de 2009

PÓ NA ESTRADA

Pago aumento para comer a poeira
sorrio ou me entristeço,
mas enfim sou transeunte desta via.
Deste caminho que se cruza,
deste olhar que se perde,
e busca o teu
em meio as janelas entreabertas
em meio ao calor de um pouco
de insatisfação.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Linha 300

terça-feira, 3 de março de 2009

SEMPRE QUE INICIAMOS UM NOVO DIA



Vou compor uma nova canção
Que vai falar de amor
Vou comprar um violão
Que vai ser meu companheiro
Quero fazer um refrão
Vem comigo ver o nascer do sol
Fazendo uma caminhada na praia
Vem comigo ver o pôr do sol
Fazendo uma cavalgada numa colina
Vou falar de gente que ama
Que chora e se emociona
Que gosta de luar e estrelas
E que não deseja pro seu próximo
O que não quer pra si

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
 Transitivo direto e indireto

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A BUSCA PELA PAZ

É mais que pixar no muro três letras,
ou estado de coisas materiais.
É mais que assinaturas de tratados,
ou apertos de mãos de dirigentes mundiais.

É mais que uma bandeira hasteada,
ou uma roda de violão e vozes a cantarolar.
É mais que desejar um feliz natal,
ou soltar pombas brancas ao ar.

Não adianta fazer marcha ou passeata,
greve de fome ou se auto flagelar.
Não adianta decretar um dia ou feriado,
se vestir de branco e jogar flores ao mar.

Não adianta fazer alianças contra o terrorismo
e matar e morrer em vão.
Não adianta construir mausoléu aos mártires
e salvas de tiros e bandeira no caixão.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos

FLUXO CONSTANTE

Eu quis que tudo fosse resumido,
mas as pessoas chegavam sem parar
eu vi uma já morta,
mas alguém ainda tinha esperança que não.

Choros aos coros, vômitos e sangue,
dor bastava a minha,
mas tinha a dos outros
e eram tantas e procurava entender.

E ao me sentir um boi
denominei minha dor
ou seja o local, como lombo
por ser aqui nas costas.

Ouvindo even flow do Pearl Jam
a esta altura me soa genial,
uma canção pode nascer numa
sala de espera de um PS.

Mas neste caso seria o título
de uma sobre o entra e sai
de gente e eu ali com toda paciência
do mundo, sem saber o que viria.

E foi uma injeção na bunda,
lenta e dolorida,
algumas observações
e um conselho:

REPOUSO.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
 Tirania dos Sentidos

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ESPÍRITO NA NOITE

O fantasma se assombra
com a pequenez dos dias idos
as marchas de soldados juvenis
indo pra guerra
ardendo em suas paixões varonis.

Um novo tempo sem a depressão
sem Vietnãs, Golfo Pérsico ou Afeganistão.
O orgulho ferido,
a ferida fétida,
um cachorro comendo
o próprio vômito.

O fantasma errante agora
transborda e chora seus poucos
anos vividos.
Seus olhos de azul intenso,
um bebê muito lindo,
uma mãe super contente
o embala em braços roliços.

O bebê tem alimento,
carinho e abrigo.
Tem bosques e cheiro de eucalipto
e a lua é logo ali
e o sol é logo ali.

Basta um sorriso,
basta um piscar de olhos,
basta sonhar e sonhar.
E brincar e cantar
e dançar ao tempo
o corpo solto, o espírito livre.

Os melhores dias
ainda estão por vir.
As melhores canções
ainda estão por ser compostas.
O bebê não é estúpido,
é pura inocência.

É simplesmente um fantasma
de lindos olhos azuis.
Pode voar,
pode nadar,
pode correr.
Não há limites, muito menos fronteiras,
não há bilhete de passagem,
nem passaporte com carimbo.

Só uma gaitinha soando
um folk suave,
sem bandeira, sem dono.
Composto por alguém num dia frio
e carregado pelos trilhos do mundo
numa velha Maria Fumaça.

Nem alegre, tampouco triste,
mas carregada de paixão.
Daquelas canções sem refrão,
carregadas de sentimento,
carregadas de suor,
carregadas de dias.

Mas mesmo com tanta liberdade
o fantasma escolheu o banco da praça,
escolheu um céu de inverno,
escolheu deixar rolar,
rolar mais uma lágrima.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE

Tirania dos Sentidos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

POR TRÁS DOS SONHOS...

Dois pinheiros,

Arrancá-los de madrugada,
sem deixar vestígios,
cimentar tudo.

Usá-los como refêrencia,
ou nome fantasia
de um empreendimento qualquer.

Atrás daqueles dois pinheiros
Tem gente que sonha
e sonha...
E os pinheiros crescem
e crescem...

Os dias passam,
os anos entram e saem
e os sonhos nascem e morrem.

Muitos de parto prematuro,
outros de aborto,
muitos induzidos.

O que há por trás dos dois pinheiros?

Gente que sonha e envelhece.




PAULO ROBERTO WOVST LEITE 
Tirania dos Sentidos

E CONHECEREIS A VERDADE...

É estranho o que se sente
acordado sob tensão
ouvindo rock n’ rool
e bebendo água mineral.

O vômito pode ser o transbordar da ingestão de alimentos e bebidas.

A poesia pode ser o transbordar da ingestão de sonhos e pesadelos.

Pode um estômago ficar vazio?
Pode um coração ficar vazio?

Alguns misturam sua poesia
a suas sensações,
misturo minha poesia
a minhas emoções.

Vivo e morro pelo que amo,
não pelo que gosto.
Sei que um homem livre nunca morre,
pois hoje sei que só o amor liberta.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania do Sentidos

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

JARDIM DE INFÂNCIA

Em que passei minha melhor vida,
em que calmo e sossegado
descansava a sombra da minha árvore
cortando e limpando com os dentes
a cana achada no caminho.

Chupando cana e assobiando uma canção
Com a cara suja e pés no chão.

Hoje muitos anos passados,
és um condomínio de prédios
classe alguma coisa
com parquinho de diversão
e quadra de esportes.


Não és nem sombra
do meu jardim de infância
e as crianças que descansam
a sombra de um quiosque de cimento
engolindo Elma chip’s,

cantam hip hop
com refrãos de morte e dor.

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos

SUSTO

Se você for caminhar sozinho, ao atravessar
a estrada atrás do consciente, ao adentrar
na parede do desconhecido, a janela não existe.
As portas fecham-se atrás das suas costas,
não tem essa de escolha errada, é preciso encarar
e fazer a próxima escolha
e não tem essa de escolha certa,
apenas vive-se e pronto.
Arrependimento e remorso tanto fazem,
não se pode voltar e prosseguir pode ser doloroso,
mas só quem tem coragem de manter-se vivo
pode provar o quê, o por quê,
o fim de todas as coisas.
Explicar não se pode nem tentar, é perda de tempo,
o medroso vive assustado, teme e é covarde.



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos
UM HOMEM SÓ

Pode falar sozinho;
Pode andar sozinho;
Pode rir de si mesmo;
Pode lamber as próprias feridas.

Tomar uma atitude pensada;
Prestar-se a atropelar a fantasia;
Favorecer a realidade tramada;
Velar o sonho a noite toda.


CRIANÇA

Pureza.
Nega-se ou admite-se.
Não a parênteses, colchetes ou chaves,
somente travessão e ponto final.
E muitas ???


ADOLESCENTE

Não sei, talvez.
Só contrariar,
biquinho.
Agora não quero mais!


JUVENTUDE

Explode pavio curto,
joga-se todas a fichas,
alguns sobrevivem
outros ficam pelo caminho.


ADULTO

Ter que ser exemplo,
independente de querer ou não,
porque se é e ponto,
está armada a armadilha.


CICLO

Nunca tem fim
segue-se a eterna aliança
filhos carregados de genes de seus pais
tentando mudar sua herança.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos

PALADAR

Abro os olhos e estou vivo,
vou para a minha janela,
o cenário lá fora avisto.

Passam pelos meus olhos cenas, 
nenhum espetáculo, 
a não ser sobrevivência.

O gosto em minha boca é de enlatado,
estabilizante, anti oxidante, acidulante, conservador 
e aroma artificial de alguma coisa natural,

ao que insistentemente acrescento
uma pitada de amor.


PAULO ROBERTO WOVST LEITE 
Tirania dos Sentidos

SENSITIVO


Quase seis da manhã, ou seja, cinco e cinqüenta e cinco...
Uma borboleta azul intenso, de um voar suave,
vem me trazer recordações antigas,
de um sonho outrora vivo.
E me diz num bater de asas:
Você ainda é livre!

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos

COMPREENDER

“Quão difícil
a métrica
tétrica perpétua
fujo por um
lugar ao sol
me encontro
com o caos
antevejo você”


PAULO ROBERTO WOVST LEITE 

Tirania dos Sentidos

CONDICIONAL

A vida segue seu curso
O Homem perde-se em custo
A dor sufoca e oprime
Esperando a libertação
Segue seu curso



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
 Tirania dos Sentidos

Carta aos desabrigados e desalojados de SC

Não vou falar do que aprendi,
Não vou falar do que senti,
Não vou falar do que morri.

Não vou falar dos turistas da desgraça alheia com suas digitais e olhares.
Não vou falar dos oportunistas aumentando os preços das mercadorias e serviços.

A vocês que ficaram boa sorte
A vocês que partiram boa morte
A nós afetados...



Carta a los desamparados y desalojados de SC

No voy a hablar del que aprendí,
No voy a hablar del que sentí,
No voy a hablar del que morí.

No voy a hablar de los turistas de la desgracia ajena con sus digitales y mires.
No voy a hablar de los oportunistas aumentando los precios de las mercancías y servicios.

A vosotros que quedaron buena suerte
A vosotros que partieron buena muerte
A nosotros afectados...


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos
DIGITAL

De reflexão em reflexão vou seguindo
Passando por muitos momentos alegres
Algumas tristezas também,
Mas guardando no peito minhas experiências.
Não me tomes por mau,
Todos temos momentos difíceis,
Se faço o mal que não quero,
O bem que habita em mim me faz prosseguir.



RETINA

Um dia bonito não necessariamente precisa ser de verão...

Se dá conta às vezes que uma cuia de chimarrão num dia frio
E um olhar perdido pela janela,
Traz-me as mais lindas lembranças.
E me faz querer fazer as mais lindas ações,
Nascidas de um sonho, uma esperança.
Mastigando silêncio me coloco a pensar em muitas coisas,
Contemplo muitas outras.

Emoções me ocorrem maneando passado e presente
Motivo de alteração de percepção.
Gosto de observar as crianças em suas brincadeiras sem relógio
Nem compromisso, a não ser com a alegria de viver,
Sendo puras, me lembrando que puro fui.
Não gosto de conversa fiada, nem chocarrice de tolos,
Que passam a vida a invejar as vitórias de outrem
E maldizem o amor, fazem juízo e não se dão ao respeito.



SENSORIAL

Gosto de pedir licença ao entrar e ao sair.

Não acredito em destino, muito menos predestinação.
Um bom vinho o é e só.
Com uma boa companhia,
Boa música e boa conversa o é melhor ainda.
Conheço muitas formas de se comunicar,
Mas não conheço uma melhor que a dos sentidos,
Temos cinco, lembra?



SONORO

Nem sempre sou compreendido, nem sempre compreendo os outros.

Quando tinha doze anos completos, li um livro chamado a lua,
Talvez soe ridículo admitir, mas hoje vinte e sete anos se passaram.
E ainda não andei por lá.
Houve um filho de homem ao qual devotei meus ouvidos por muitos anos
E segui seus toques e perambulei pelos corredores de muitas bibliotecas,
Nem uma de Alexandria é bem verdade,
Mas me dediquei a ir mais além.


Vi o ocaso daquele homem num show em junho de oitenta e nove,
Fiquei bem em frente ao palco e quando avistei sua entrada
Uma multidão gritava e se apertava e meu amigo chorava me abraçando
Fiquei cego literalmente e perdi também a audição,
Foram longos minutos e quando retomei meus sentidos o que vi
Foi uma massa de desorientados, e o Raul morto ali ao lado
De um estereótipo moldado a álcool e cocaína.

E soube que tinha de continuar em frente.


Dia desses um garoto de doze anos me questionou a respeito
Como era viver naquele tempo, coisa e tal.
Lamentou não ter minha idade,
Dizendo que devia ter nascido naquele tempo.
E continuou me falando do que vi, como se fosse novidade,
Sem ver que ele pode ser a novidade que ainda está por vir.
Retruquei-lhe que se tivesse a idade de seu pai, o seria o próprio.
Tu achas que ouviu?

Eu também não ouvi,
Tu também não ouviste e
Ele te cantará sapato trinta e seis,
Foi um longo percurso até aqui,
Queres eleger um deus para te destruir?
Macho e fêmea te fez
Soprando-lhe nas narinas seu espírito,
Homem te fez.



FRAGRÂNCIA

Quando olho através da janela, é triste o que vejo.

Como não imputar-nos o que vivemos,
Lamentável é perceber em cada corpo, instintos a nos dominar.
Da paixão ao nos entregarmos à tirania de querer conquistar,
Que valia tem um rude dentro de casa
Que não fora se entregar ao trabalho
E lhe trazer o sustento
Farsa, erro ou engano?



SALIVA

O rei sábio falou e faz muito tempo, bem mais que dois mil anos.
E como era de costume um escriba conservou para a posteridade
Uma máxima ou quem sabe uma pérola:
“Tomará alguém fogo no seu seio, sem que as suas vestes se queimem?”.
Ou andará alguém sobre as brasas, sem que se queimem seus pés?”.

O que sabemos do amor e do ódio,
O que temos é paixão.
Comendo do fruto, abriram-se-lhes os olhos e conheceram o bem e o mal.


Com um trafegar contínuo, continuo.

Falando sozinho, olhando pela janela.
E porque este sorriso?

Por que sim é resposta.

Quem tem pena de quem se acha potente,
De quem com a cara lavada
Esconde-se por trás de uma posição,
Chorando a vida vivida, implorando consideração.

Quem ri das gentes das cidades
Tão distantes de si mesmas,
Aprisionadas em seus afazeres
Passando de lá para cá,
Em seus automóveis altamente poluidores.
Surgindo nuas na rua asfaltada,
Levitando para não queimar os pés.

Comiseração! 





PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Tirania dos Sentidos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

10 ANOS



Eu vi e eram duas cabeças que se amavam, rolando soltas por este mundo afora,
por fora do muro, atravessando todas as fronteiras se amavam.
Duas cabeças soltas no mundo.

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
 Homenagens

sábado, 31 de janeiro de 2009

LUTO

Para,
Acácio Luis do Prado,
en este día que se fue.


Para nosotros que permanecen aquí.

¡Muertos!

En busca de una explicación.

¡Mis condolencias!

Sepa mi querido amigo
La vida y sus misterios están más allá
del el resto nos tenemos que vivir.



PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Homenagens